sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A TV é submetida a quatro tipos dc censura: a de diversões públicas, a política, a autocensura e a censura indireta. A primeira, de diversões públicas, é inspirada num regulamento de 1946, quando nem existia televisão no Brasil. Esse regulamento discrimina as platéias de cinema e teatro por faixa etária. Mesmo para o rádio, que já existia na época, essa legislação era iníqua, pois comparava a programação do veículo a auditórios de teatro, cinema, circo e associações esportivas. Esse absurdo, em vez de ser corrigido, vem sendo agravado, pois o público de televisão é hoje classificado em seis categorias de idade, que variam de hora em hora, a partir das 7 da noite, como se os telespectadores também variassem de hora em ho ra. Como existem normas rígidas do que pode e do que não pode ser exibido em cada horário, os autores acabam recebendo uma cartilha como modelo, resultando na padronização das histórias. A segunda é a censura política, que não existe legalmente, mas que ho dia-a-dia é atuante de fato. Ela interfere na programação de entretenimento e até na de jornalismo, onde deveria ser exercida a posteriori conforme determina a lei. Essa censura é de tal maneira subjetiva, que acaba gerando o terceiro tipo da censura: a autocensura. O quarto tipo, enfim, indireto, e eu o chamaria de censura: social. Existe em todo o mundo e é fruto do grande poder de penetração do veículo. Esta censura é exercida através da pressão de grupos e até de indivíduas. Vai de associações a comadres. É claro que todos têm o direito de opinar. Mas no Brasil, infelizmente, leva-se a sério uma reclamação da tia do vizinho do primo de uma figura ocasionalmente influente — e censura-se até por ouvir dizer.

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