sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Eu acho que a televisão, como veículo de massa, deve ser controlada de alguma forma. O mecanismo de vigilância, como eu já disse, é que ainda não se encontrou no Brasil. E tenho a impressão de que só será encontrado quando os órgãos de controle perderem o medo do veículo e conhecerem as suas características. Do ponto de vista social e politico, não é justo ter esse medo. A televisão atua superficialmente sobre o indivíduo; pode modificar alguns hábitos, e impor modismos, mas não pode jamais influir no seu livre arbítrio. Mecanicamente, a TV pode condicionar pessoas a assistirem a uma novela, mas não pode fazer com que elas pensem como o diretor ou autor de uma novela. A televisão habitua o telespectador a ver o "Jornal Nacional", mas não pode convencê-lo a adotar esta ou aquela posição em relação ao fato noticiado. Na verdade, a TV bombardeia o telespectador com um volume imenso de informações e estímulos, não dando tempo para reflexões enquanto ele está recebendo as mensagens. E ele vai buscar em outras fontes, como o jornal, a revista, o livro e o seu próprio grupo, dados mais profundos para tirar suas próprias conclusões. A televisão desperta, assim, novos interesses no campo do conhecimento humano. Não se trata de abolir a Censura, mas de modernizá-la, simplificando a legislação. Talvez apenas um código de ética. Com isso, o veículo poderia respirar melhor. Quando digo que não estou satisfeito com a nossa televisão, é porque gostaria de vê-la refletindo mais fielmente a realidade brasileira. E não considero que refletir essa realidade seja apenas a abordagem de temas nacionais, mas fundamentalmente a discussão dos problemas do país, através do jornalismo, do serviço público e mesmo do entretenimento.
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