sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Eu acho o sistema de televisão no Brasil extremamente complexo. É um produto híbrido. Como concessionária de serviço público, ela está sujeita à ingerência do Estado e, como empresa privada, tem sua autonomia. Mas vem sendo muito difícil fixar os limites dessa convivência. A TV americana, por exemplo, é diferente. Embora também seja concessão do Estado, este não exerce qualquer interferência. Quem influi mesmo na TV americana é a opinião pública. Já na maioria dos países europeus, a TV é estatal. É um sistema sem credibilidade, pois o público sabe que o governo controla totalmente a informação. O nosso não é uma coisa nem outra. O problema começou nos anos 50, quando a televisão chegou ao Brasil. O poder público não teve o cuidado de definir uma política para a implantação de um sistema de televisão no país. Concedia-se canal como se concedia alvará. Passados mais de vinte anos, esse pecado persiste, dificultando todas as medidas de saneamento do veículo. Assim, diversas leis e portarias não tiveram até hoje condições de regulamentar a televisão. E dificilmente o novo Código Brasileiro de Telecomunicações (ainda em discussão) conseguirá harmonizar o sistema que é heterogêneo em todos os seus aspectos — social, empresarial e político,
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